"Odeio atenuantes, desculpas, restrições. Odeio quem marca e desmarca. Odeio quem maltrata a esperança do outro, quem não cuida da expectativa que mesmo criou. Odeio quem afirma que não tem saída, que surgiu algo importante, que está de mãos amarradas. Sempre há o que fazer. Sempre podemos escolher. Odeio quem diz que vai e depois retira a palavra. Quem sempre inventa um senão de última hora. Quem não banca seu desejo. Quem finge intensidade para soar romântico. Adiar não é esperança. Um sim pela metade é não. Respeito aquele que sofre de medo, jamais respeito aquele que aceita ser menor do que o medo. Respeito aquele que sofre de dúvida, jamais respeito aquele que coleciona incertezas. Na paixão, ou é ou não é. Não se negocia com a loucura."
"“Você quer transar?” Não, na verdade. “Você não gostou de mim?” Gostei. Você tem uma feição bonita. Seu corpo é maravilhoso, até onde consegui ver. Adorei seus pés, são pequenos e bem cuidados. Seu cheiro é gostoso, também. “Obrigada. Mas?” Sei lá, não estou mais a fim. Acho que eu estava me sentindo meio solitário, meu telefone não tem tocado muito ultimamente. “Você vai pagar pra alguém falar contigo, é isso?” É. Acho que sim. Patético, eu sei. É que, atualmente, encontrar alguém pra trepar anda mais fácil que alguém disposto a escutar você. No futuro sua profissão será extinta, e nas esquinas haverá pilhas de gente com bons ouvidos, anunciando uma hora de papo por cinquenta contos. O cafuné será o novo boquete."